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dias para a Festa da Penha

Tarde do 7º dia da Festa da Penha destaca chamado a ser luz no mundo

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Vila Velha (ES) – A tarde deste sábado, 7º dia do Oitavário da Festa da Penha 2026, foi marcada por momentos de oração, reflexão e espiritualidade no Convento da Penha, reunindo fiéis no Campinho em sintonia com o tema do dia: “Onde houver trevas, que eu leve a luz”. A programação teve início com a oração da Coroa Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora, conduzida pelos freis Luiz Naldo, Filipo Girão e Jorge Lázaro, que celebrou aniversário nesta data, em um clima de alegria e fraternidade.

Na sequência, o momento devocional do sétimo dia do Oitavário foi conduzido por Frei Roger Strapazzon, mestre dos frades pós-noviciado do Convento São Francisco, em São Paulo. Em uma reflexão provocativa, o frade partiu de um fato real para ilustrar o tema do dia: a história de uma família palestina que, após perder um ente querido vítima da violência, decidiu doar seus órgãos para salvar vidas de judeus. Para Frei Roger, esse gesto extremo de amor revela, de forma concreta, o que significa levar luz onde há trevas, rompendo com a lógica da vingança e afirmando a força do perdão.

A partir dessa narrativa, o frade destacou que o mal não deve ser compreendido ou justificado, mas vencido pelo bem. Inspirado na espiritualidade de São Francisco de Assis, recordou que “a única forma de acabar com a escuridão é acender uma luz”, ressaltando que o perdão, a união e o amor são caminhos concretos para transformar realidades marcadas pelo ódio. Ele também relacionou a reflexão ao prólogo do Evangelho de João (1,1-12), enfatizando que Cristo é a luz verdadeira que ilumina todo ser humano e que, mesmo diante das trevas, essa luz jamais pode ser vencida.

Frei Roger aprofundou ainda a dimensão prática desse chamado, lembrando que cada pessoa carrega em si potencialidades para o bem e para o mal. Segundo ele, o caminho da paz passa por alimentar o lado bom, cultivando atitudes concretas de cuidado, empatia e solidariedade. “Quando nos ocupamos em fazer o bem, o egoísmo perde espaço e o amor cresce”, destacou, ao propor a vivência da chamada “ética do cuidado” nas relações do dia a dia.

Ao citar uma mensagem do Papa Leão XIV, o frade alertou para o risco da “globalização da indiferença”, quando as pessoas se acostumam com a dor do outro e deixam de agir diante das injustiças. Como resposta, reforçou que a verdadeira força cristã é não violenta e se manifesta na capacidade de perdoar, dialogar e promover a paz, mesmo em contextos difíceis.

Encerrando a reflexão, Frei Roger recordou que ser “filho de Deus”, como afirma o Evangelho, é permitir que a paz de Cristo transforme o coração e impulsione a missão. “Rezar ‘que eu leve a luz’ é assumir a responsabilidade de ser instrumento de paz”, afirmou, convidando os fiéis a testemunharem, com a própria vida, que a luz do amor de Deus é sempre maior que qualquer escuridão.

Em sintonia com o tema do dia, o objeto abençoado durante o momento devocional foi a vela, símbolo da luz de Cristo que ilumina as trevas. A bênção recordou aos fiéis o chamado a serem portadores dessa luz no mundo, levando esperança, fé e paz às realidades marcadas pela escuridão.

A programação da tarde seguiu com a celebração da Santa Missa do 7º dia do Oitavário, às 16h, com a Romaria da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, também no Campinho do Convento.

Com paternidade e profecia, o Arcebispo, Dom Luiz Fernando Lisboa, na homilia orientou e lançou algumas provocações à assembleia. Destacou a força do bem presente em ações pequenas e discretas, convidando o povo a recorrer à inspiração de Nossa Senhora: “Ensina-nos, Senhora das Alegrias, a fazer pequenas coisas para levar alegria às pessoas, e a também a reconhecer o que os outros fazem de bom”. Mencionando a primeira leitura (At 4,13-21), dos Atos dos Apóstolos, pôs destaque no respeito e no apoio dos quais Pedro e João gozavam junto à comunidade, e quanto tal apoio despertava medo nas autoridades e nos poderosos: “Como as autoridades têm medo do povo! O povo ainda não descobriu a força que tem, o poder que tem, infelizmente!”, lamentou, apresentando, em seguida, um exemplo emblemático da força de mobilização do povo ocorrido recentemente no país: “Aqui, no Brasil, em várias vezes, já demonstramos a força que temos. Há pouco tempo, quando os deputados quiseram aprovar a PEC da blindagem, porque se julgavam melhores do que nós, o povo saiu às ruas e eles se intimidaram, eles ficaram com medo, e então voltaram atrás”, ressaltou. Enfatizando o refrão do Salmo (“Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes”), Dom Luiz, convocou a assembleia a atender ao convite do Papa Leão XIV, para rezar, durante o mês de abril, na intenção de todos os sacerdotes em crise.

Fazendo referência a figura de Maria Madalena, personagem importante do Evangelho do dia (Mc 16,9-15), o Arcebispo abordou um tema sobre o qual tem se dedicado com insistência: a urgência do combate àviolência contra as mulheres, elencando os tipos de violência (psicológica, física, patrimonial etc.) a que elas estão sujeitas e que vão se somando no dia a dia, chegando muitas vezes ao cúmulo do feminicídio: o assassinato de mulheres por conta de seu gênero. “Isto está longe de nós? Não, está perto, está em nossas famílias”, chamou a atenção. Com voz forte e profética, convidou a todos a gritar um “Basta” para a violência contra as mulheres.

Ainda baseado no Evangelho, destacou o significado do envio que Ressuscitado segue fazendo a seus discípulos e o quanto é importante se considerar a ligação indissociável entre fé e vida: “Quando fazemos a experiência de Cristo ressuscitado, ele nos envia. Ele nos desinstala, nos tira da zona de conforto, nos livra de um cristianismo de puras devoções, de orações vazias, de busca egoísta de bem-estar espiritual, enquanto ele continua a sofrer e quer ressuscitar naqueles quem vivem em lugares se as condições básicas, em moradias insalubres e sem dignidade (CF 2026), nos inocentes que morrem nessas guerras malditas que têm como única meta a venda de armas”. Também fez coro ao Papa Leão XIV quando criticou a postura imperialista e dominadora do Governo do EUA manifesta em episódios recentes, o último deles envolvendo o Irã. Recordou as palavras do Sumo Pontífice: “Deus não abençoa nenhum conflito. Quem é discípulo de Cristo, o Príncipe da Paz, nunca se coloca ao lado daqueles que ontem empunhavam a espada e hoje lançam mísseis e bombas”.

Ainda neste sábado, acontecerá a tradicional Romaria dos Homens movimenta a festa, com Missa de Envio às 17h na Catedral de Vitória, seguida da caminhada até o Parque da Prainha, onde, às 18h, acontece a acolhida com apresentações musicais e momento mariano. O dia será encerrado às 23h, com a Missa de Encerramento da romaria, reunindo milhares de fiéis em um dos momentos mais aguardados da programação.


Equipe de Comunicação da Festa da Penha: Frei Augusto Luiz Gabriel, Frei Roger Strapazzon e Marcos Souza (Grupo Celinauta)

A Festa da Penha 2026 é promovida pela Mitra Arquidiocesana de Vitória, Convento da Penha e Associação das Obras Franciscanas. A Festa é realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), por meio da Secretaria da Cultura (Secult), e do Governo do Espírito Santo, através do patrocínio da ES Gás. A correalização é do Espírito Santo Convention Bureau e da Prefeitura Municipal de Vila Velha. O evento conta com o patrocínio da ArcelorMittal, Banestes, Cesan, Extrabom, Javé Construtora, LeCard e Vale. Também tem o copatrocínio da Unimed Vitória. O apoio é da TVE, TV Gazeta, A Gazeta e Café 3 Corações. O apoio cultural é do Grupo Energisa.

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