Fé e significado. Embora não estivesse no horizonte inicial quando a Festa da Penha 2026 começou a ser concebida, o Ano Jubilar de São Francisco de Assis — proclamado recentemente pelo Papa Leão XIV — é o tema central da edição 2026 da terceira maior festa mariana do Brasil. A escolha do tema “Fazei de nós instrumentos da paz” dialoga diretamente com os 800 anos da morte do santo e com a ligação histórica do Convento da Penha ao carisma franciscano, reforçando o sentido espiritual que orienta a celebração deste ano.
Para o guardião e reitor do Convento da Penha, Frei Gabriel Dellandrea, o Jubileu surge como um impulso que amplia esse olhar, evidenciando o desejo de paz de São Francisco em sintonia com Maria, intercessora e Rainha da Paz. A Festa da Penha 2026 será realizada entre os dias 5 e 13 de abril.
Na tradição da Igreja Católica, o Jubileu é celebrado como um Ano Santo, dedicado à renovação espiritual, à reconciliação e ao perdão, vividos de forma concreta por meio das indulgências e de gestos de conversão pessoal e comunitária. O Ano Jubilar Franciscano de 2026 é considerado um jubileu extraordinário, voltado à atualização do legado de São Francisco de Assis, com ênfase nos valores da pobreza, da humildade e do amor à criação, apresentados como referências atuais para a vivência da fé e para os desafios do mundo contemporâneo.
A conexão com o Ano Jubilar de São Francisco de Assis reforça a identidade franciscana da Festa da Penha e aprofunda o sentido do tema escolhido para 2026, inspirado diretamente na espiritualidade do santo de Assis. A proposta convida os fiéis a refletirem sobre reconciliação, simplicidade e serviço, em um tempo marcado por conflitos e divisões, apontando a fé como caminho de diálogo e construção da paz.
O guardião e reitor do Convento da Penha reforça que essa proclamação amplia o horizonte evangelizador da celebração e fortalece o vínculo entre o Convento e a missão franciscana. “A Festa da Penha evidencia que o Convento é a casa de Nossa Senhora, cuidada pelos franciscanos. Vivemos aqui como frades menores, invocando diariamente a proteção amorosa de Maria, e o Jubileu nos convida a aprofundar esse caminho de fé, perdão e conversão interior”, afirma.
Ainda segundo o frei, a incorporação prática da proclamação à programação da Festa está em fase de construção. “O Ano Jubilar surge como um impulso que amplia o sentido da Festa da Penha, mas esse processo será desenvolvido com cuidado. Estamos observando, com atenção, como integrar essa realidade jubilar à vivência da celebração, respeitando sua identidade e sua história. Aos poucos, as novidades serão apresentadas, não apenas durante a Festa, mas ao longo de todo o ano, no Convento da Penha”, conclui.
A vivência jubilar também dialoga diretamente com o caráter peregrino da Festa da Penha. Assim como os fiéis percorrem trajetos nas romarias, o Ano Jubilar propõe um itinerário espiritual, feito de passos interiores, que conduz ao encontro consigo mesmo, com Deus e com o próximo. Nesse contexto, a espiritualidade franciscana se apresenta como convite à leveza, ao desapego e à alegria vivida de forma consciente e comprometida.
Ao destacar os 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis, a Festa da Penha 2026 busca ampliar o olhar dos devotos sobre a figura do santo, muitas vezes associada apenas à relação com a natureza e os animais. A proposta é apresentá-lo como referência atual, capaz de inspirar respostas aos desafios contemporâneos, especialmente no que diz respeito à paz, à fraternidade e ao cuidado com a vida.
Festa da Penha 2026
Considerada a terceira maior celebração mariana do Brasil, a Festa da Penha 2026 será realizada entre os dias 5 e 13 de abril, em Vila Velha, em homenagem a Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo. Ao longo de nove dias, a programação reúne momentos intensos de fé, devoção e emoção, com mais de 40 missas e 14 romarias, além de apresentações religiosas e atividades culturais.
Os festejos reúnem fiéis de todas as regiões do Estado e de diversas partes do país, reafirmando a Festa da Penha como uma das principais expressões da religiosidade popular brasileira e como um espaço de encontro, espiritualidade e esperança.