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dias para a Festa da Penha

Entre grades, floresce a fé e a esperança: terceiro dia do Oitavário da Festa da Penha

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Vila Velha (ES) – O terceiro dia do Oitavário da Festa da Penha 2026, celebrado nesta terça-feira, 7 de abril, foi marcado por uma intensa jornada de fé que começou ainda pela manhã com duas experiências da Penha Peregrina e prosseguiu, no Convento da Penha, com o momento devocional franciscano, a Celebração Eucarística e a oração do Santo Terço no período noturno.  Ao longo do dia, a imagem de Nossa Senhora da Penha levou consolo, oração e esperança a fiéis da zona rural de Alfredo Chaves e também às internas do Centro Prisional Feminino de Cariacica, antes de reunir devotos no Campinho para mais uma tarde de espiritualidade e celebração.

Uma das imagens peregrinas esteve no Centro Prisional Feminino de Cariacica, no bairro de Bubu, onde se refletiu o tema “Com a Virgem da Penha, junto aos irmãos que vivem encarcerados”. A imagem e os frades percorreram a unidade prisional feminina, inserindo o sistema prisional capixaba na programação da 456ª edição da Festa da Penha. A peregrinação, que já acontece pelo segundo ano consecutivo, passou pelo alojamento materno, salas de aula, biblioteca e galerias, em um momento de oração e escuta acompanhado por voluntários da Pastoral Carcerária.

Na unidade prisional, Dom Andherson Franklin Lustoza de Souza, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória, destacou que a visita da Virgem da Penha é sinal da ternura de Deus junto às mulheres privadas de liberdade. “A Virgem da Penha traz sonho, esperança e a sua força materna”, afirmou, ao lembrar que a presença da Igreja no cárcere também alcança os servidores penitenciários, chamados a viver sua missão com humanidade e cuidado.

Frei Pedro Oliveira recebeu das internas uma imagem de Nossa Senhora confeccionada em crochê, além de uma imagem de São Francisco de Assis. As peças confeccionadas pelas internas do Ateliê Mãos Livres, também destacou a força simbólica da visita.

“É uma alegria podermos estar aqui, mais uma vez, trazendo a imagem peregrina de Nossa Senhora da Penha, a mãe que veio visitar suas filhas, que não podem ir até ela. Para nós, do Convento da Penha, que cuidamos dessa imagem, somos guardiões dessa imagem, foi muito bom estar aqui. Essa imagem, confeccionada com tanto carinho pelas nossas detentas, será apresentada no nosso momento devocional. Vamos apresentá-la para o povo, para que todos vejam de fato as mãos que teceram a imagem da mãe. Sem sombra de dúvidas, em cada ponto usado para tecer essas imagens, existe um ponto de esperança, existe um ponto de confiança, de que a mãe continua olhando por elas”, disse o religioso.

Concomitantemente, a outra peregrinação da manhã aconteceu na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Alfredo Chaves, com o tema “Com a Virgem da Penha, junto aos irmãos que vivem em áreas predominantemente rurais”. A acolhida à imagem peregrina ocorreu às 9h, na entrada da cidade, no Trevo de Cachoeira Alta, de onde seguiu em carreata até a igreja matriz, onde foi realizada a cerimônia de entronização. A programação reuniu moradores, agentes pastorais e devotos em um gesto de proximidade com o interior capixaba, valorizando a vida simples, o trabalho da terra e a fé cultivada nas comunidades rurais.

Na celebração em Alfredo Chaves, a Santa Missa foi presidida por frei Gabriel Dellandrea, guardião e reitor do Convento da Penha, que aprofundou o sentido da fé como um caminho atravessado por perguntas, dúvidas e confiança. Em sua reflexão, frei Gabriel recordou uma experiência familiar para explicar a força da curiosidade e da busca interior. “As crianças nos ensinam que perguntar é muito importante. Porque não são as respostas que movem o mundo. E sim às perguntas”, afirmou. Em seguida, ajudou a assembleia a perceber que a dúvida, quando vivida com abertura de coração, pode se tornar caminho para o encontro com Deus.

Ao relacionar a pergunta humana com a experiência da fé, frei Gabriel recordou o Evangelho de Maria Madalena diante do túmulo vazio e destacou que, até o momento em que Jesus a chama pelo nome, a cena é marcada por interrogações. “As perguntas movem o Evangelho até a hora em que Maria reconhece o Jesus ressuscitado”, disse. Para ele, a fé não elimina as perguntas, mas purifica o coração para que a resposta seja acolhida. “Jesus é a resposta”, completou, ao insistir que, diante dos desafios da vida, o cristão deve se perguntar o que Jesus faria em cada situação concreta.

O tema do dia, “Onde houver dúvida, que eu leve a fé”, também foi ressaltado pelo guardião como expressão do compromisso cristão em tempos de incerteza. “Duvidar não é um problema. Mas a resposta vem através do coração que se abre, da experiência da fé”, explicou. Em outro trecho de sua fala, frei Gabriel reforçou que a fé muda o modo de ver, de ouvir e de caminhar. “Quem tem fé, escuta diferente. Entende diferente, enxerga diferente, anda diferente, fala diferente, pensa diferente”, afirmou, convidando os fiéis a viverem uma confiança mais firme em Deus.

ONDE HOUVER DÚVIDA, QUE EU LEVE A FÉ

Já no Convento da Penha, a programação da tarde começou com a acolhida aos voluntários, jornalistas e equipes que colaboram com a festa, seguida pela oração da Coroa Franciscana das Sete Alegrias de Nossa Senhora. Em clima de fraternidade, os frades destacaram a importância do serviço de quem ajuda a manter viva a celebração. “Hoje é dia do jornalista”, lembrou frei Gabriel, saudando os profissionais da comunicação que acompanham e divulgam a Festa da Penha para o Espírito Santo e para outras regiões do Brasil.

Logo depois, teve início o momento devocional do terceiro dia do Oitavário, com o tema: “Onde houver dúvida, que eu leve a fé”. A reflexão foi conduzida por Frei Valdemiro Wastchuk (Frei Miro), vigário paroquial do Santuário Divino Espírito Santo, de Vila Velha. De forma simples e direta, o frade convidou os fiéis a reconhecerem que a dúvida faz parte do caminho, mas que é a fé que sustenta e dá sentido à caminhada cristã. “Quem tem fé, escuta, aprende e ensina”, afirmou, envolvendo a assembleia em um gesto que expressava a dinâmica viva da fé.

Ao longo da reflexão, Frei Miro destacou que a fé transforma a maneira de ver, pensar e agir. Segundo ele, quem vive pela fé passa a enxergar além das dificuldades e não se deixa paralisar pelas incertezas. “Quem tem fé, enxerga diferente, fala diferente, caminha diferente”, disse, reforçando que a fé é como um novo sentido na vida do cristão, capaz de orientar decisões e fortalecer diante das provações.

Recordando figuras bíblicas, como Abraão, o frade ressaltou que acreditar em Deus exige confiança mesmo quando tudo parece impossível. “Abraão acreditou contra toda esperança”, lembrou, incentivando os fiéis a também confiarem nos projetos de Deus, independentemente da idade ou das circunstâncias. Ele reforçou que Deus continua chamando cada pessoa para uma missão, e que a resposta deve ser dada com coragem e fé.

Frei Miro também alertou para os momentos em que a dúvida pode enfraquecer a caminhada, como no episódio de Pedro que começa a afundar ao duvidar. “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”, recordou, citando o Evangelho, e convidando os presentes a não perderem a confiança diante das dificuldades. Para ele, a fé é a força que impede o desânimo e sustenta o fiel nos momentos mais desafiadores.

Encerrando sua reflexão, o frade reforçou que a fé é capaz de transformar realidades e superar qualquer obstáculo, por menor que pareça. “Quem tem fé não vai cair, vai sempre levantar”, afirmou, motivando os fiéis a permanecerem firmes em Deus. Em um gesto simbólico, convidou todos a estenderem as mãos em sinal de bênção, recordando que a fé também se manifesta no cuidado e na oração uns pelos outros.

Na sequência, os frades conduziram a bênção dos terços, objeto escolhido para este terceiro dia do Oitavário. Os fiéis ergueram seus rosários enquanto os frades realizavam a aspersão com água benta. O momento reforçou a espiritualidade mariana e franciscana que atravessa toda a Festa da Penha.

A Santa Missa das 16h reuniu a Área Pastoral Cariacica Viana no Campinho do Convento da Penha, em celebração presidida por padre Leandro José Monteiro, da Paróquia Jesus Libertador, de Cariacica, com homilia de Marwin Amaral Martins, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Viana.

Na homilia, o sacerdote destacou o encontro com Jesus como experiência transformadora, sobretudo a partir da figura de Maria Madalena, no Evangelho da Ressurreição. “Jesus sempre acolheu aqueles que o encontravam. O encontro com Ele sempre muda a vida”, afirmou.

Pe. Marwin também chamou atenção para a pergunta de Jesus a Maria Madalena no jardim: “Por que choras? A quem procurais?”. Segundo ele, essas perguntas continuam ecoando na vida dos cristãos, que muitas vezes chegam ao Senhor com dores, incertezas e pedidos. “O Senhor pergunta a cada um de nós também nesta tarde, filho, filha, por que choras?”, recordou. Ao mesmo tempo, insistiu que a resposta precisa ser clara: é Jesus Cristo vivo e ressuscitado quem o coração procura.

A celebração teve continuidade com a liturgia eucarística e homenagens a Nossa Senhora da Penha, com a entrega de rosas.

“TODA TERÇA TEM TERÇO” REÚNE FIÉIS EM NOITE DE ORAÇÃO E DEVOÇÃO

A programação noturna da Festa da Penha 2026 foi marcada por um dos momentos mais tradicionais e queridos pelos devotos: o “Toda Terça Tem Terço”. Realizado no Campinho do Convento da Penha, o encontro reuniu fiéis presencialmente e também por meio das transmissões digitais, encerrando o dia em um clima de oração, espiritualidade e comunhão.

A iniciativa, que nasceu durante o período da pandemia como forma de manter viva a devoção através das redes sociais, hoje se consolida como um espaço de encontro entre o povo e a fé mariana. Em plena oitava da Páscoa, o terço foi rezado à luz da alegria da Ressurreição, reforçando o tema da festa deste ano: “Fazei de nós instrumentos da paz”. Durante a condução de Frei Paulo César Ferreira da Silva e Frei Jorge Lázaro, os frades destacaram o amor como força que transforma o mundo, recordando que a oração, antes de mudar a realidade externa, transforma o coração humano.

A celebração também foi enriquecida pela espiritualidade franciscana, com a meditação das Sete Alegrias de Nossa Senhora, devoção trazida por Frei Pedro Palácios e profundamente ligada à história do Convento da Penha. Os fiéis foram convidados a contemplar a alegria de Maria ao ver o Filho ressuscitado, fundamento que explica o início da festa no Domingo de Páscoa e sua continuidade ao longo do Oitavário.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi o gesto de carinho de uma devota, que preparou pequenas lembranças com medalhas de Nossa Senhora da Penha, distribuídas aos presentes como sinal concreto de amor e partilha. A oração também foi permeada por diversas intenções, vindas tanto dos fiéis presentes quanto daqueles que acompanhavam pelas redes sociais, evidenciando a dimensão comunitária da fé.

Ao final, os frades reforçaram o sentido da Festa da Penha como uma “festa de oração”, destacando que cada momento vivido no convento é uma oportunidade de transformação interior. “A oração não muda o mundo, a oração muda o nosso coração, e nós é que mudamos o mundo”, ensinou Frei Gabriel Dellandrea, guardião do Convento da Penha.

Encerrando a celebração, os participantes receberam a bênção final e foram convidados a levar consigo uma rosa do andor de Nossa Senhora, como sinal da graça vivida. Assim, entre cânticos, silêncio e devoção, o “Toda Terça Tem Terço” reafirmou seu lugar como um dos momentos mais significativos da programação, reunindo fé, tradição e esperança aos pés da Mãe das Alegrias.

A Festa da Penha 2026 é promovida pela Mitra Arquidiocesana de Vitória, Convento da Penha e Associação das Obras Franciscanas. A Festa é realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), por meio da Secretaria da Cultura (Secult), e do Governo do Espírito Santo, através do Patrocinio da ES Gás. A correalização é do Espírito Santo Convention Bureau e da Prefeitura Municipal de Vila Velha. O evento conta com o patrocínio da ArcelorMittal, Banestes, Cesan, Extrabom, Javé Construtora, LeCard e Vale. Também tem o copatrocínio da Unimed Vitória. O apoio é da TVE, TV Gazeta, A Gazeta e Café 3 Corações. O apoio Cultural é do Grupo Energisa

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