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dias para a Festa da Penha

Dom Lauro aponta a paz de Cristo e o perdão como resposta às feridas do mundo no Domingo da Misericórdia

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Vila Velha (ES) – “Não basta celebrar a ressurreição, é preciso torná-la visível”, com esta motivação, Dom Lauro Sergio Versiani Barbosa, celebrou a Eucaristia no Campinho do Convento, reunindo peregrinos e fiéis em um clima de fé e compromisso com o Evangelho vivido no dia a dia. O oitavo dia do Oitavário da Festa da Penha 2026, celebrado neste domingo, 12 de abril, foi marcado por uma manhã de intensa espiritualidade, romarias e celebrações no Convento da Penha e em outros pontos de Vila Velha. Com o tema “Onde houver ofensa, que eu leve o perdão”, a programação começou ainda nas primeiras horas do dia, com missas às 5h e às 7h na Capela do Convento, reunindo devotos que, mesmo diante das condições do tempo, não deixaram de subir o monte santo para rezar.

A manhã seguiu com expressivas manifestações de fé popular, como a tradicional Remaria, que teve sua concentração às 7h30 na Praia do Ribeiro, na Praia da Costa, reunindo fiéis em um gesto de devoção que une mar e oração. Ao mesmo tempo, a Moto Romaria também mobilizou centenas de participantes, com concentração na Praça Encontro das Águas, na Serra, de onde partiram em direção à Prainha, em um testemunho público de fé e unidade.

No Campinho do Convento, a Diocese de Colatina protagonizou um dos momentos centrais da manhã com a celebração das 9h, presidida por Dom Lauro, bispo da Diocese de Colatina (ES). A Eucaristia reuniu sacerdotes, religiosos, seminaristas e romeiros, reforçando a comunhão entre as dioceses e a força da peregrinação como expressão concreta de fé. Encerrando a programação matutina, a missa das 11h ampliou ainda mais a participação dos fiéis, que continuaram a chegar ao Convento da Penha para render graças à Mãe das Alegrias, em mais um dia marcado pela vivência do perdão, da misericórdia e da paz.

Apesar da chuva que caiu sobre Vila Velha, a presença dos peregrinos não diminuiu o fervor da celebração. Logo na acolhida, Frei Gabriel Dellandrea, guardião do Convento da Penha, recordou que o caminho para o Convento é guiado pela esperança, “com chuva ou com sol”, e saudou com entusiasmo a Diocese de Colatina. “Nós freis franciscanos nos acolhemos todos vocês que estão vindo da querida Diocese de Colatina. É com alegria que a missa das nove do domingo no Convento da Penha hoje recebe vocês”, disse. A imagem de Nossa Senhora da Penha foi conduzida ao centro do Campinho enquanto o povo cantava e celebração foi, desde o início, um verdadeiro convite a viver a Páscoa como força de renovação da vida cristã.

Na homilia, Dom Lauro aprofundou o mistério da Ressurreição e da misericórdia divina para refletir sobre o tema do dia. Inspirado no Evangelho de São João, que narra a aparição de Jesus aos discípulos no cenáculo, o bispo destacou que a paz proclamada por Cristo não é apenas ausência de conflito, mas presença viva do Ressuscitado no coração da comunidade. “A paz esteja convosco”, repetiu, lembrando que o Senhor aparece com as marcas da cruz, mas não como sinal de derrota. Ao contrário, suas chagas revelam o amor que venceu a morte e abre para a Igreja um caminho novo, de confiança e de missão.

Dom Lauro chamou atenção para o medo que mantinha os discípulos trancados atrás das portas fechadas. Segundo ele, esse medo ainda hoje paralisa comunidades, famílias e pessoas, impedindo-as de viver a liberdade dos filhos de Deus. “O medo é mau conselheiro. O medo é inimigo da fé. O medo impede o amor”, afirmou. Para o bispo, a presença de Jesus no meio da comunidade é o que desfaz a insegurança e reacende a esperança. “A paz esteja convosco”, recordou novamente, afirmando que o Ressuscitado não oferece poder, mas o dom da paz desarmada e desarmante.

Em sua reflexão, relacionou diretamente a liturgia do domingo com o tema da Festa da Penha, fazendo do perdão uma exigência concreta da fé cristã. “Não basta celebrar a ressurreição, é preciso torná-la visível”, afirmou, insistindo que a paz recebida deve se transformar em compromisso. Para ele, ser instrumento da paz significa recusar a lógica da violência, da guerra e da vingança. “A violência não pode ser a última palavra”, disse, recordando que a resposta cristã às feridas do mundo é o perdão que vem de Cristo e se faz gesto concreto no cotidiano.

Ao comentar a figura de São Francisco de Assis, cujo jubileu de 800 anos de trânsito foi lembrado ao longo de toda a Festa da Penha, Dom Lauro destacou que o santo de Assis viveu essa paz como estilo de vida, missão e escolha radical. “Ele cultivou aquela Perfeita Alegria numa vida de simplicidade, de pobreza, de serviço, de missão, de solidariedade com toda a humanidade ferida”, ressaltou. Em sintonia com o tema geral da festa, “Fazei de nós instrumentos da paz”, o bispo apresentou São Francisco como testemunha de um cristianismo que não se apoia no triunfalismo, mas na humildade do Evangelho.

Outro ponto central da homilia foi a leitura dos Atos dos Apóstolos, que apresenta a primeira comunidade cristã perseverando “no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”. Dom Lauro explicou que essa comunidade ideal não é apenas um modelo distante, mas um convite real para a vida das paróquias e dioceses de hoje. “A comunidade era assídua ao ensinamento dos apóstolos, vivia na comunhão fraterna, celebrava a fração do pão e permanecia na oração”, recordou, sublinhando que não havia necessitados entre eles porque tudo era colocado em comum. Para o bispo, esse modo de viver a fé é o que torna possível celebrar a Páscoa de modo autêntico. “Como nós vamos ter festa com alegria se temos pessoas marginalizadas, descartadas, injustiçadas, sofrendo?”, provocou.

A homilia também abordou com profundidade a dimensão sacramental da vida cristã. Dom Lauro destacou que o batismo, a crisma e a Eucaristia não são ritos vazios, mas fontes de transformação para uma vida nova. “Ter fé não é simplesmente repetir a doutrina. Fé é adesão à pessoa de Jesus Cristo, ao seu Evangelho”, ensinou. Em outra passagem, lembrou que Cristo soprou sobre os discípulos e lhes comunicou o Espírito Santo, não para que se tornassem poderosos segundo os critérios do mundo, mas embaixadores da misericórdia divina. “Nenhum de nós discípulos de Jesus Cristo pode aprovar a guerra”, disse, reforçando a rejeição às armas, à violência e ao domínio do mais forte.

Em tom pastoral e profético, o bispo denunciou as guerras que ceifam vidas de crianças, idosos e inocentes e lembrou que muitos irmãos na fé não puderam celebrar a Páscoa como o povo capixaba, porque vivem sob as bombas. Citando também as mensagens recentes do Papa Leão XIV, Dom Lauro afirmou que o mundo precisa de uma paz desarmada e desarmante. “Deus não abençoa aqueles que usam a espada e que hoje derrubam, lançam as bombas”, disse, destacando que a lógica do Evangelho é a do perdão e da misericórdia. Ao mesmo tempo, lembrou que perdoar é vencer o mal com o bem, oferecendo reconciliação onde o ódio insiste em prevalecer.

Ao longo da homilia, o bispo fez ainda um apelo concreto à conversão pessoal e comunitária. Recordou que o Pai Nosso ensina a todos a rezar como irmãos, sem distinção de raça, cultura, religião ou posição social. “O Pai Nosso nos ensina isso: somos todos irmãos”, frisou. Segundo ele, a paz começa quando se vive o Evangelho na prática, com obras de misericórdia, partilha do pão, cuidado com os pobres e compromisso com a justiça. “Não é uma paz ingênua, é uma paz de quem sabe que o mundo está marcado por injustiças que devem ser vencidas, mas não com os instrumentos da violência, e sim com os instrumentos do Evangelho”, concluiu.

Ao final, Dom Lauro deixou uma palavra de gratidão pela acolhida e pelo testemunho de fé dos romeiros, enquanto o guardião do Convento recordou que a Festa da Penha continua ao longo do dia com outras grandes expressões de devoção.

E a manhã não terminou sem novos sinais de peregrinação. A Remaria, concentrada às 7h30 na Praia do Ribeiro, uniu fé e travessia no mar, enquanto a Moto Romaria, organizada na Praça Encontro das Águas, na Serra, reuniu devotos em direção à Prainha. Às 11h, outra missa no Campinho prolongou o clima de oração, fechando a manhã do Domingo da Misericórdia com o rosto voltado para a Virgem da Penha, cuja presença materna acompanha, consola e envia seu povo a viver o perdão onde houver ofensa.


Equipe de Comunicação da Festa da Penha: Frei Augusto Luiz Gabriel, Frei Gustavo Medella, Frei Roger Strapazzon e Marcos Souza (Grupo Celinauta)

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